Pessoas antes de projetos
Não temos uma sede física — nossa presença são as pessoas em campo, em cada país onde atuamos, e a rede de parceiros que torna esse trabalho possível.
Missão
Levar água potável e assistência médica a comunidades africanas em situação de vulnerabilidade, em parceria com empresas que compartilham esse propósito.
Visão
Um futuro em que nenhuma comunidade dependa de fontes de água distantes ou inseguras, e em que o cuidado médico básico chegue a quem mais precisa.
Valores
Transparência com quem doa, dignidade com quem recebe, e compromisso de longo prazo com cada projeto que colocamos em campo.
A história por trás do primeiro poço

Em um dos poços já entregues às comunidades
Tudo começou em 2015, quando fui pela primeira vez à África com um grupo de missionários. Assim que chegamos, vi toda a dificuldade que aquele povo enfrentava, e o que mais me tocou foi a escassez de água. Veio no meu coração que nada seria melhor para aquelas pessoas do que serem presenteadas com água — só que o problema era o custo: na época, ficamos sabendo que um poço artesiano custava entre 6 e 8 mil dólares, um valor muito alto e pouco acessível.
Comecei a visitar algumas vilas na região. Não ficamos na capital; ficamos numa cidade chamada Morogoro, onde a escassez de água era real e visível. Andando por ali, senti aquele chamado no coração e liguei para o meu marido, Almir. Entramos em acordo: doaríamos um poço. Até então, nenhum grupo tinha começado esse tipo de projeto de poços artesianos.
Conversei com o líder do nosso grupo, o Pastor Júlio, e compartilhei o que sentia. Ele disse que era muito caro, que o povo não teria condições de arcar com aquilo. Respondi que eu e o Almir gostaríamos de, ao menos, custear um poço. Ele me disse que seria quase impossível escolher apenas um vilarejo, porque a necessidade era imensa em todas as comunidades onde o missionário Paulo, que atuava na África, trabalhava — se déssemos um poço a um povoado, não haveria como decidir qual seria, já que todos precisavam igualmente.
Mesmo assim, convenci o Pastor Júlio a começarmos com um poço, para depois avaliarmos os próximos passos. Precisávamos escolher o lugar. Ele então colocou uma condição: eu não doaria o poço sozinha, porque estávamos em um grupo de sete missionários, e todos deveriam ter a oportunidade de participar — não importava se alguém doasse 5 mil dólares ou apenas um dólar, cada um contribuiria com o que pudesse. Eu já tinha conversado com o Almir e sabia que tínhamos condições de arcar com os 6 mil dólares sozinhos, mas precisava obedecer à liderança do Pastor Júlio.
Começamos então a percorrer várias vilas. O missionário Paulo, que também atuava na África, foi direto: todos os lugares precisavam, mas teríamos que escolher um para começar. Um poço artesiano era um sonho imenso para aquele povo — talvez o maior presente que pudessem receber.
Em cada vila que visitávamos, eu chorava mais. No primeiro lugar já chorei muito, vendo o quanto precisavam de água e como era precária a situação por falta de acesso a ela. Pensava: "Eles precisam ganhar um poço, olha que pobreza é essa." Mas aquilo ficava só no meu coração, porque no segundo lugar chorava ainda mais — "aqui está pior do que o outro" — e assim seguimos. Foi em 2015 que visitamos cinco vilarejos, lugares muito distantes de tudo, de comércio, de qualquer estrutura. No terceiro lugar, de novo pensava que ali estava pior. Eu me perguntava como faríamos com todos aqueles lugares que estávamos visitando, e fiquei esperando uma confirmação de Deus.
Quando chegamos ao quarto lugar, um povoado chamado Sagaio, fomos recebidos de um jeito que me marcou profundamente: o presente que nos deram, para nos receber na vila, foi uma garrafinha de água para cada missionário. Aquilo cortou meu coração, porque eles não tinham nem para si mesmos, e ainda assim se esforçaram para nos oferecer água. Enquanto bebíamos, toda a congregação, inclusive as crianças, ficava observando, esperando terminarmos para poder pegar a garrafinha vazia e usá-la para brincar ou para algo útil.
Pedi a Deus que me mostrasse onde deveria ser o primeiro poço, já que não tínhamos condição de fazer cinco. Foi justamente nesse lugar, onde recebemos as garrafinhas de água, que o pastor local só pedia uma coisa: nossa oração. Eu pensava, no fundo, "fale logo que você quer um poço artesiano, porque assim eu saberei que é aqui." A pobreza era visível, quase não havia plantação, estava tudo seco.
Naquele mesmo lugar, nosso grupo já havia doado anteriormente formas para fazer tijolos de barro, destinados à construção de uma igreja e uma escola. Mas as formas estavam largadas, sem uso, porque a fonte de água que usavam para misturar a argila havia secado completamente. Para conseguir água até para cozinhar, precisavam pedalar cinco quilômetros de bicicleta — nem banho conseguiam tomar. Sem água, era impossível fazer os tijolos, e o projeto foi abandonado.
Durante uma reunião, saí por alguns minutos, e quando voltei encontrei o pastor ajoelhado no chão, pedindo oração. Ele disse que só queria uma coisa de nós: que dobrássemos e redobrássemos nossas orações, porque o Deus que ele servia era capaz de fazer a água brotar daquele solo. Em nenhum momento ele pediu recursos financeiros — pediu apenas um milagre. Quando vi aquilo, senti as pernas amolecerem, como se alguém tivesse me golpeado, e caí de joelhos, chorando. Foi ali que tive certeza absoluta de que o primeiro poço seria naquele lugar. O que mais me quebrantou foi justamente isso: ele não pediu nada a nós, pediu tudo Àquele que pode tudo, e queria que intercedêssemos junto com ele por aquilo que tinha no coração — a certeza de que Deus faria a água brotar dali.
Terminado o culto, chamei o líder do grupo e disse que faríamos o poço ali, que sentia fortemente que seria naquela vila. Visitamos ainda mais um lugar depois daquele, mas não fui tocada da mesma forma como fui no quarto vilarejo.
Foi em 2015 que começou todo o planejamento. Eu imaginava que o custo seria em torno de 6 mil dólares, mas na verdade o preço de um poço depende muito da profundidade da perfuração — quanto mais fundo é preciso ir para encontrar água, mais caro fica. Naquela época, o poço custou 10 mil dólares. E foi lindo perceber como o Espírito Santo trabalhou ali: quando o Pastor Júlio abriu a participação para todos, alguns missionários que não tinham condições se mobilizaram para ajudar, chegaram a vender pizza no Brasil para contribuir. O valor que eu tinha planejado colocar, 6 mil dólares, e o restante, os outros 4 mil, foi levantado pelo grupo, mesmo sem saber de antemão quanto seria necessário. No fim, ainda sobraram cerca de 500 dólares da nossa parte. Hoje, um poço fica em torno de 12 a 15 mil dólares, dependendo muito da profundidade — não existe poço abaixo de 12 mil dólares atualmente.
Foi um movimento muito grande, porque aquele povo nunca tinha recebido um poço antes. Ninguém acreditava de verdade, porque muitos missionários que passavam por ali faziam promessas que raramente cumpriam. O povo ficou feliz, mas sem realmente acreditar que aquilo se concretizaria.
Eu pensava em como seria maravilhoso estar lá no dia em que a água brotasse do chão, como o pastor havia pedido em oração, mas achava que jamais veria aquilo — que só saberia por fotos. Na inauguração do primeiro poço, o missionário Paulo, que liderava as missões na África, enviou os vídeos do dia, e eu pensava o quanto gostaria de ter visto aquilo pessoalmente, sem imaginar que um dia teria essa oportunidade.
Em 2017, o Almir recebeu um convite para uma viagem missionária à África, mas eu nunca imaginei que fosse vê-lo, porque não iria junto. Perto da viagem, ele ficou muito doente e disse que não deixaria de cumprir sua palavra — que eu iria em seu lugar. A princípio, recusei; disse que havia tantos outros lugares que eu queria conhecer.
Foi impressionante ver como Deus responde aos desejos do coração: eu tinha muita vontade de conhecer Paris e a Holanda, e também ouvia falar muito da beleza do aeroporto de Dubai. Havia sido negado meu visto para Dubai por causa de um carimbo de Israel no meu passaporte — só eu e o Almir tivemos o visto negado na família, mesmo nossos filhos recebendo o deles. Quando o Almir insistiu que eu fosse em seu lugar, relutei, dizendo que era muito longe, quase vinte horas de voo. Foi então que a esposa do Pastor Júlio, a Cleide, perguntou se eu iria no lugar dele. Expliquei minha relutância, e ela contou que, na ida, passaríamos três dias na Holanda, na casa da filha dela, e que, na volta, passaríamos três dias em Paris, porque uma enfermeira do grupo sonhava em conhecer a cidade. Percebi ali que Deus estava confirmando aquele chamado e decidi ir. Quando minha filha comprou as passagens, descobri que teríamos ainda uma parada de quatro horas no aeroporto de Dubai — e assim tive a oportunidade de conhecer os três lugares que desejava.
A partir do momento em que nos dispomos a fazer a obra, os desejos do nosso coração se realizam de formas inesperadas. Fui no lugar do Almir, conheci a Holanda na ida, e cheguei à África realizada. Uma das primeiras perguntas que me fizeram ao chegar foi se eu gostaria de conhecer o local do primeiro poço. Foi maravilhoso: tudo estava diferente, as plantações verdes, mandioca e milho crescendo, e o poço funcionando ali. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, e fiquei imensamente grata por ver que Deus havia realizado todos aqueles sonhos, um a um, a partir do momento em que me coloquei à disposição para cumprir o que precisava ser feito.
Nessa mesma viagem, vivi outro testemunho: mesmo sem ter inglês fluente, fui usada como intérprete. Os médicos falavam em português, eu traduzia para o inglês, outra pessoa que morava ali traduzia do inglês para o suaíli, a língua local, e o processo se repetia no sentido inverso. Trabalhávamos com atendimentos médicos, de clínica geral e odontologia, onde qualquer erro de tradução poderia comprometer um procedimento. Até hoje não sei explicar como consegui traduzir com tanta naturalidade e responsabilidade — foi outro momento que considero um verdadeiro milagre.
Desde então, já fui à África três vezes. Acredito que o maior presente que se pode entregar às mãos do povo africano é a água. Quando você dá água, você planta uma semente para tudo o mais crescer, porque em um lugar sem água nada consegue avançar. Esse continua sendo o sonho do meu coração: seguir trabalhando para levar água a essas comunidades.
Não tenho certeza absoluta, mas acredito que aquele primeiro poço foi em 2015 — o missionário Paulo poderia confirmar melhor. Depois dele, outros vinte e quatro poços foram construídos, totalizando vinte e cinco. Participamos cem por cento do primeiro, tivemos participação parcial em alguns dos seguintes, e nos últimos já não estivemos envolvidos diretamente. Mas foi assim que tudo começou, e espero que continuemos com esse projeto da água, que Deus continue abrindo portas e providenciando os meios para seguirmos adiante.
— Rute Demorais
Os rostos que sustentam esse trabalho
Não temos endereço fixo — nossa presença é medida pelas pessoas em campo, em cada país onde atuamos.
Fundadores
Conselho e diretoria
Equipe internacional
Equipe local, por país
Conselho consultivo técnico
O que nos diferencia
Além de perfurar
Pareamos cada poço com saneamento e saúde — água limpa sozinha não resolve tudo.
Soluções de longo prazo
Não buscamos só a instalação: projetamos para que o poço continue funcionando por anos.
Manutenção contínua
Monitoramos e restauramos poços existentes — um poço abandonado é uma promessa quebrada.
Comunidades como donas do processo
Trabalhamos COM as comunidades locais, não para elas — são parceiras, não beneficiárias passivas.
Sua empresa completa a frase
Financie um poço, doe medicamentos ou equipamentos de perfuração — e faça parte de uma história que já muda a vida de milhares de pessoas.
Fale com a gente →